quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

E assim você se foi

8 de dezembro. O pior dia da minha vida, até agora. Estava cobrindo um evento fora do meu local de serviço e quando volto vejo minhas tias sentadas conversando com a minha chefe. Eu, na minha inocência, pensei que elas estavam lá para entregar meu atestado, já que uns dias atrás eu havia faltado pra fazer exame. De repente, vi uma delas chorando e imaginei que tivesse acontecido alguma coisa com meu pai, com a minha avó, mas nunca com a minha mãe.
Ela era jovem, bonita, saudável. Sofri demais com a separação dos meus pais, mas depois de 3 anos eu já me acostumara a viver com a ausência dela em casa. Ela tinha um sorriso lindo, tinha mania de limpeza e adorava me presentear com itens de maquiagem. Brigava comigo toda vez que chegava do serviço e via meus sapatos jogados pela casa ou minhas roupas amarrotadas no guarda-roupa.
Eu ficava dias sem vê-la, mas eu sabia que era só eu ligar pra ela que em seguida eu ia ouvir a frase: ”Oi meu amor, tudo bem”. Agora, o que resta é apenas a lembrança. Lembrança de cada dia de passeio na praia, de como ela me ensinou a passar o rímel e eu, mesmo parecendo um panda, me elogiava e dizia que eu estava linda. Linda aos olhos da mãe.
Eu ainda estou no meu momento de negação. Não acredito que isso aconteceu. Estou esperando que meu celular toque e apareça ‘Mami’ escrito e que assim que eu atender eu vou ouvir a voz dela do outro lado perguntando quando eu vou visitá-la. Eu vou te visitar, mãe. Agora e sempre, só que de uma maneira diferente.
Sentirei falta de cada bronca, cada sorriso, cada abraço, cada palavra de conforto, do seu macarrão com molho branco e de quando eu pegava seus guarda-chuvas e sumia com cada um deles. Sentirei falta da minha mãe.
Hoje ainda é muito cedo, mas eu sinto e me forço a pensar que ela está viajando e que vai voltar, mas no fundo eu sei que não.

Eu te amo, mãe. Eu sempre amarei. 

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Filosofando #1

And in the end the love you take is equal to the love you make


                                - The Beatles

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Pensamento positivo pode dificultar desenvolvimento psicológico

Pesquisadores canadenses demonstraram a partir de uma pesquisa realizada recentemente, que o pensamento positivo dá resultado, só que é o resultado oposto. A pesquisa foi feita com jovens universitários que ficaram em observação para poderem obter os resultados. Eles resolveram testar a tese de que o pensamento positivo faz as pessoas se sentirem melhor e assim acabam produzindo mais e vivendo melhor. Só que no fim, o resultado não foi o esperado.
As palavras positivas ditas em voz alta até beneficiam, só que são realmente consistentes para quem já apresenta uma autoestima elevada. Porém, pioram incontrolavelmente para quem tem autoestima reduzida. “Ficar repetindo coisas positivas é só uma mecanização, é superficial e quando você acaba só torna as coisas mais difíceis de serem alcançadas”, explica a psicóloga e doutora em psicologia e desenvolvimento humano, Denise D’Aurea Tardeli.
Ao ouvirmos afirmações que não condizem com o que nós vemos, pode complicar o desenvolvimento psicológico e trazer cada vez mais problemas. A autoestima está ligada com o auto conhecimento, tem que desenvolver o conhecimento das capacidades e das limitações. “Se a pessoa fala que está bem só que o que está sentindo é ao contrário, o cérebro começa a entrar em parafuso. Só pensar não resolve, você tem que buscar, ir atrás”, relata Denise.
Hoje em dia, existem diversas técnicas de terapia para quem sofre desse tipo de problema. “Reprogramação, programação de pensamentos e aprender a se conhecer podem ser uma saída, desde que sejam acompanhadas por profissionais e especialista na área” , completa a psicóloga.
A pessoa quando está em crise de baixaestima ou autoreconhecimento, recorre à repetição de palavras positivas, já que reza a lenda de que falando repetidamente você atrai a positividade. Pessoas assim, apresentam sintomas de apatia, desmotivação e fracasso. “Muitas vezes, a baixaestima se dá em função da projeção social, do reconhecimento da sociedade e na maioria, são mulheres que apresentam esse tipo de problema”. A sociedade exige muito do perfil feminino, e a mulher sempre está em busca de ser melhor ou de se igualar ao mundo masculino.
Existem pessoas com perfis otimistas e pessimistas e isso, é construído durante o processo de crescimento da pessoa, desde criança. O ideal, é que tenhamos uma autoestima e pensamentos que sejam iguais às nossas capacidades. Ou até um pouco acima para o incentivo de progredir, nada muito além.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Violência doméstica afeta desenvolvimento infantil

O Centro de Pesquisa da Criança e do Adolescente – PUC- SP revelou que 60% dos homens que espancam suas parceiras também são violentos com as crianças. Atualmente, existem programas de apoio às crianças vítimas de maus tratos, como o Plano Programa Nacional de Promoção, Defesa e Garantia do direito à Convivência Familiar e Comunitária. A violência doméstica é um dano que contamina todo o núcleo familiar. Sendo assim, quando as mães são violentadas, as crianças que convivem com o problema são afetadas adquirindo diversos traumas.
As crianças que presenciam ou sofrem violência dentro de casa poderão arcar com conseqüências difíceis de serem resolvidas. “Afeta completamente o desenvolvimento psicológico e social, além de estabelecer diversos sintomas resultantes da violência”, explica a Assistente Social e Pesquisadora do Núcleo da Criança e do Adolescente da PUC- SP, Isabel Campos Arruda. Timidez, agressão, falta de vontade de participação e isolamento são alguns dos sintomas estabelecidos por quem sofre violência.
A pesquisadora alerta que a criança pode transportar o que viveu na infância para a vida adulta e ter uma vida perturbada e repleta de traumas. Muitas vezes, dependendo da situação em que a família se encontra, as mães são afastadas de seus filhos, os quais são encaminhados para abrigos. E para as crianças, crescer longe da mãe e do núcleo familiar é traumatizante.
Família é estrutura vital do desenvolvimento humano. “É um lugar essencial à humanização e socialização da criança e do adolescente, responsável pela formação e perspectiva de vida do indivíduo”, relata a psicóloga, Maria Izabel Calil Stamato.
Nos programas de apoio e abrigos criados para receberem crianças e adolescentes vítimas de maus tratos e violência, a maioria deles têm resultados positivos. O Programa Nacional de Promoção, Defesa e Garantia do direito à Convivência Familiar e Comunitária foi criado para romper a situação de manter a criança longe do seio familiar. “A criança tem direito à convivência familiar e esses vínculos devem ser protegidos pelo estado”, alerta a pesquisadora Isabel Arruda.
Quando a criança está no abrigo, os responsáveis fazem de tudo para que a estadia seja breve, e não permanente. Só que tudo depende de como a família biológica se comportar. Se apresentarem uma melhora no comportamento e provarem que tem condições e estrutura de criar os filhos, a criança volta para casa. Porém, muitas vezes as famílias não apresentam melhora e acabam rejeitando os filhos, e nesses casos, as crianças são encaminhadas para adoção.
De acordo com o Núcleo de Pesquisa da PUC, 86,7% das crianças têm família, 58% mantêm contato familiar mesmo nos abrigos, 22% não mantém contato, 22% permanecem mais de seis meses morando nos abrigos e 52% permanecem nos abrigos por mais de dois anos.
O Plano de Promoção, Defesa e Garantia do direito À Convivência Familiar e Comunitária coloca uma mudança cultural e de ação para as famílias envolvidas. As crianças que são mantidas pelo abrigo vão à escola, fazem serviços domésticos e têm horário de lazer. Quando a família demonstra melhora no comportamento, a criança passa a ter um relacionamento mais próximo, para que a proposta de reaproximação possa ser trabalhada. O que se tem, muitas vezes, são famílias desestruturadas. É difícil, quase impossível trabalhar com os vínculos e bases familiares com as crianças longe dos familiares. “Toda criança deve ser mantida e criada pela família biológica, é um direito e uma necessidade”, finaliza a psicóloga Maria Izabel Calil Stamato.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Amor é sabor que arde sem derreter

Amor, amar, relacionar e até viver são coisas complicadas de se definir e de explicar. Alguns relacionamentos são como chocolate suísso, a gente acha que nunca vai comer, pensa que nem é tão gostoso, mas, indescritivelmente, é. Então a gente come, pedacinho por pedacinho, escondido, guarda para comer depois, vai economizando, mas quando vê, já é o último pedaço. Daí comemos aquele pedacinho bem devagar, deixando derreter na boca. Derrete na boca assim como o amor derrete o coração e a razão.

O sabor doce pode se tornar amargo. O sabor suave pode se tornar picante. O sabor alegre pode se tornar triste, e quando se torna triste, um chocolate sempre ajuda. Se há uma pedra no caminho, um bombom ajuda a superar. Se for chorar pelo leite derramado, só chore se for chocolate ao leite. Chocolate é um alívio para dor de cotovelo.

Tem uns encontros que são secretos, da mesma forma que um chocolate. Tornam-se inesquecíveis, saborosos e marcantes. Assim como no amor, devemos manter os olhos longe dos bombons alheios. Flores e champanhe podem enfeitar o palco, mas é o chocolate que dá o show. Você nunca conhece realmente uma pessoa até que divide uma caixa de bombons com ela.

O verdadeiro amor permanecerá mesmo que os bombons acabem, mas não se descuide, previna-se com outra caixa. Os problemas do mundo parecerão menores se acompanhados por um chocolate. A vida é que nem uma caixa de chocolate, deve apreciar um por um e devagar, sem esquecer de nenhum. Cada pedacinho é importante, pois no final, quando se junta tudo é muito mais gostoso o sabor da união. Assim também é o amor, se apreciado calmamente, intensamente, o resultado final é espetacular.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Los Angeles

Los Angeles (Angels)

Autor: Marian Keys
Tradução: Renato Motta
Editora: Bertrand Brasil
Data de Publicação: 2007
Número de Páginas: 490 páginas
Formato: 16 x 23 cm

 
 
 
Marian Keys nasceu em Limerick, região norte da Irlanda, em 1963. Formada em Direito, nunca exerceu a profissão. Passou sua juventude em Londres e foi dependente de álcool por muitos anos. Depois da reabilitação, em 1993, dedicou-se a escrever crônicas e contos que, para sua própria surpresa, foram aceitos pela editora irlandesa Poolbeg em 1995. Dessa inusitada oferta nasceu Melancia, seu primeiro sucesso editorial, traduzido para 32 idiomas.
 

O livro é o sexto romance da autora e se passa em torno de Maggie, que sempre foi a filha mais centrada da engraçadíssima e excêntrica família Walsh. Los Angeles é uma história absolutamente cativante sobre um casamento que deu errado e uma mulher sensível que, subitamente, cansada de viver com regras, resolve fazer o que bem entende da vida.

Ao largar o emprego em uma empresa de advocacia e seu casamento, que nunca foi engrenado de verdade, Maggie resolve explorar o que há de bom, ou não, por aí. E é assim que resolve abandonar sua vida em preto e branco no passado e parte em direção à Hollywood.

Em L.A, fazem parte do cenário roupas sofisticadas, pessoas magérrimas e emperiquitadas, que de acordo com a protagonista, até as palmeiras ao longo das calçadas são magras. Além das festas bem freqüentadas, que são presença constante no roteiro de Maggie.

Ao se hospedar com sua melhor amiga, Emily, uma roteirista, Maggie começa a fazer coisas que jamais fizera antes, até mesmo se enturmar com estrelas de Hollywood, usar meias-calças na cabeça para firmar o penteado e fazer apresentações de roteiros para produtores de cinema sem nem pensar duas vezes. Assim, conhece o misterioso Troy, um homem tão distante das mulheres que é conhecido como Teflon Humano e tem como filosofia de vida a famosa frase: “Desapegar pra ser feliz”.

Ao longo do livro, o leitor acompanhará Meggie em sua jornada de descobertas por um sentido na vida, juntamente com as estrelas, dos subúrbios sofisticados de L.A ao bronzeado que a protagonista cisma que só consegue obter nas praias da Califórnia.

Além de presenciar os ataques existenciais que Walsh terá quando for obrigada a engolir mágoas e, de quebra, muitos martínis, enquanto procura o que realmente quer da vida e qual o verdadeiro motivo de ter pulado fora do casamento.

Los Angeles é um livro indicado para todos que apreciam um pouco de realidade com uma mistura de sarcasmo, humor e irreverência. É de fácil entendimento e é indicado para adolescentes. Possui uma linguagem direta, do cotidiano e com um desenvolvimento sem palavras rebuscadas. 

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Contos do busão

Lá vou eu todos os dias. Acordo cedo, me arrumo e vou enfrentar a minha rotina. Chego no ponto de ônibus e encontro sempre as mesmas pessoas, com as mesmas expressões desanimadas e os meninos, geralmente, com os cabelos bagunçados.

De manhã, por incrível que pareça, é tudo bem tranquilo, não encontro muitas espécies raras pelo caminho. Mas é só eu descer no ponto final e atravessar a rua para a barquinha que já começa a aparecer diversas figuras que, sem dúvida, poderiam ser protagonistas de muitas histórias engraçadas.

A hora do almoço é a mais “tensa”. Lá estava eu, lutando contra meu sono, tentando não dormir com medo de perder o ponto. Infelizmente, ou felizmente, eu dei uma cochilada. Acordei na Conselheiro Nébias com umas senhorinhas sentadas nos bancos da frente falando um pouco alto. Um pouco alto é sutileza demais, estavam gritando:

- Mas isso tudo é uma vergonha – dizia uma
- Tem muita coisa errada nesse país – a outra completou
- É, mas você votou no Tiririca – retrucou a primeira
- Votei e votaria de novo, todo mundo fica jogando pedra nele, coitadinho. Ele vai se candidatar à Senador na próxima eleição, e se ele fizer coisas boas como deputado, ele GANHA.

Sim, ela deu um berro quando finalizou o sermão que eu, ainda sonolenta, dei um pulo do banco. Havia uma moça sentada do meu lado e eu pude perceber que se ela tivesse lazer nos olhos, ela queimaria as senhoras exaltadas lá do fundão.

O ônibus segue. No mesmo ponto, todos os dias, sobe um moço contando a mesma história. Ele tem AIDS, é pai de 3 crianças, não consegue emprego e toda aquela historinha de que “Ah, eu poderia estar roubando, matando, mas estou aqui, pedindo humildemente sua contribuição”.

Nesse dia, uma moça com uns 40 e poucos anos se irritou com os contos do rapaz e disse que não ia ajudar ‘vagabundo’ nenhum e ia chamar a polícia. O rapaz valente estufou o peito e retrucou:

- Você pode chamar a polícia, eu conheço todos os policiais, todos os delegados. Eu sou conhecido na cidade.

“Bom pra ele”,pensei e comecei a rir, pois todas as pessoas dentro do ônibus começaram a gritar com o homem. O ônibus parou e ele gritando e reclamando, desceu.

Quando eu pensei que tudo estava um pouco mais calmo, doce ilusão. Um infeliz sentado atrás de mim começa a escutar música no último volume. Eu tenho uma dúvida. Porque todas as pessoas que não utilizam o fone, que é um acessório feito justamente para dar privacidade aos seres humanos, ouvem funk? É sempre funk.

Eu reclamo, reclamo, reclamo que tenho que pegar 4 ônibus por dia e 2 barquinhas, mas pelo menos, eu me divirto. Às vezes.